The Ocean Race Atlantic

Como foi a regata The Ocean Race Atlantic (real e virtual)

No dia da largada eu não poderia estar online. Mas não foi problema, o Kiko da equipe BST tomou o controle de meu barco, e assim, quando pude assumir, o Ondazul estava posicionado junto do grupo que liderava a regata. O início desta travessia do Atlântico foi marcada por ventos contrários e fortes desde o primeiro dia (dois dos IMOCA reais sofreram danos e se atrasaram para reparos).

Depois de alguns dias sempre navegando pelos quinhentos no ranking da regata, decidi tentar uma rota afastada do grupo líder. Desviei para sudeste, procurando um modo de me aproximar ou quem sabe ultrapassar os líderes. Deu certo de modo parcial. Consegui me aproximar do grupo líder da regata, e aos poucos coloquei o Ondazul entre os duzentos primeiros colocados.

Visão da regata virtual, com o veleiro real DMG MORI (acima, um pouco à direita)

Os ventos finalmente acalmaram, o que foi bom demais – a força diminuia para o grupo dianteiro, e assim pude me aproximar ainda mais. Depois de seis dias com ventos de até 30 nós de proa, pude. Navegar em 30 nós de proa, com algumas rajadinhas, não é o que os IMOCAS curtem. Nos barcos oficiais participantes (reais), todos usaram capacetes em tempo integral, e a dificuldade para dormir foi geral, tornando a travessia bem desgastante. Além disso, os que sofreram danos perderam muito tempo – realizar reparos em mar agitado não é fácil.

Você pode estranhar as dificuldades que os IMOCA tiveram nesta etapa. Afinal, não são os mais eficientes veleiros de oceano do mundo? Não desafiam os tenebrosos mares do sul? Correto, mas esse é justamente o motivo pelo qual esta travessia do Atlântico foi cruel para os participantes reais. Os IMOCA são projetados para superar tempestados devastadoras… Nos mares do Sul. O que significa ventos que podem ultrapassar os 50, 60 nós, verdadeiros furacões – mas vindos de popa! Aqui está o segredo. Portanto, IMOCAS são projetados para navegar a favor do vento, mesmo os mais tempestuosos. Nesta travessia de New York para Lorient, onde predominaram ventos de proa, os IMOCAs estava certamente fora de seu habitatat.

The Ocean Race – DMG MORI Global (Japão)
Photo Vincent Curutchet / The Ocean Race Atlantic

O Ondazul conseguiu no final da regata se recuperar bem, e quase consegui chegar no TOP 100 (estive até na 54ª posição um dia antes de chegarmos a Lorient). Infelizmente cometi um único erro justamente nas últimas horas de regata, quase na linha de chegada: segui uma rota baseada em TWA 120 (o que daria a maior velocidade), mas o que valeu foi um rumo o mais próximo da costa possível, e assim perdi a chance de terminar entre os TOP 100. Mas conseguir o 127º lugar no ranking no primeiro evento da The Ocean Race 2027 foi muito bom!

Na regata real, a vitória ficou para o United By The Ocean (França/Portugal), comandando por Paul Meilhat e tendo como imediato Mariana Lobato, mais os tripulantes Benjamin Ferré e Sara Stone. Em segundo lugar, o Team Francesca Calpcich da equipe 11th Hour Racing (EUA), e em terceio o DMG MORI Global One (Japão).

The Ocean Race Atlantic, on board MSIG Europe. Photo by Georgia Schofield

Na regata virtual, os três primeiros colocados foram todos franceses: o vencedor foi o Amity/Région Bretagne, seguido do conhecido Passtaga e o TcAir11-PV/SERVETEC/D-ICE.

A equipe brasileira Brazilian Sailing Team, da qual faço parte, terminou em 22º lugar entre as 88 equipes que competiram nesta regata, vindos de todo o mundo. Entre os brasileiros o Ondazul foi o segundo colocado, perdendo por 1 segundo para o DogBoris BST, ficando o Rudneijr BST em terceiro.

The Ocean Race Atlantic – New York – 26/09/01
Photo Vincent Curutchet / The Ocean Race Atlantic