Às 9 horas do dia 15/09, uma terça-feira, aconteceu a largada da Défi Azimut, uma regata para IMOCAs, tanto na versão real como na virtual. Há dois dias venho analisando os ventos, estão bem estáveis, e a rota inicial ficou exatamente como prevista. Estamos no rumo oeste (no momento em que escrevo o rumo é 273), e daqui a pouco, chegará a hora de seguir para o norte, em direção às ilhas de Scilly, no extremo sudoeste da Inglaterra.
As ilhas Scilly são uma das atrações turísticas mais conhecidas das ilhas britânicas. Para se ter ideia, vivem nas ilhas 2.300 habitantes, que recebem até 100 mil turistas durante o verão. Contudo, ainda prefiro passar as férias em Ubatuba…

O Ondazul, pelas 13 horas, ocupava a 482ª posição. Pouco depois meu veleiro e praticamente todos os demais mudaram o rumo para o norte. Alguns brasileiros da equipe BST cambaram um pouco antes (Rudneijr e Caulimaran), com isso tomaram uma pequena dianteira em relação aos demais. Hoje no final da tarde, meu barco estava em 180º no ranking da regata e, entre os brasileiros, ocupava a terceira posição. Estamos apenas começando a atravessar o canal da Mancha.

São 5h10 desta quarta-feira, novo dia ainda não nasceu. Acabo de passar pelas ilhas Scilly, onde fica a primeira bóia. Não foi nada fácil. Dormi e coloquei o despertador para as 4h30, de modo a acompanhar a passagem. Tivemos de contornar várias das ilhas do arquipélago, evitando o encalhe. Em trechos difíceis assim, sempre sobram alguns barcos “catando mariscos”, como dizemos.
Agora o Ondazul está no 45º lugar, o que é bastante satisfatório, dado o nível de dificuldade do contorno das ilhas. Entre os brasileiros, estou na liderança, com o Rudneijr BST em segundo e o Kinkakala BST em terceiro. Por sinal, os sete primeiros colocados no Brasil são da nossa equipe, o Brazilian Sailing Team.
Estamos no segundo dia de regata, e no final da tarde de hoje estaremos passando pelo icônico farol da Fastnet Rock, ponto presente em inúmeras regatas oceânicas. Aproveito para contar que a Défi Azimut tem um trajeto muito mais curto do que o trajeto adotado pela versão virtual, não chegando nem a atravessar o canal da Mancha (leia o artigo sobre a Défi Azimut).

Assim que contornamos a Fastnet Rock, estaremos rumando de volta para Lorient, onde começou e terminará a regata. Ainda haverá mais uma bóia a ser contornada no trajeto, mas próxima do destino final.
Agora são quase 18 horas e o Ondazul está prestes a passar pela Fastnet Rock, ocupando a 43º posição e em primeiro no ranking brasileiro. Não estou muito confiante na passagem pela bóia, não dá para marcar exatemanete num rumo ideal, estão vou adaptar um pouco. Vamos ver o que vai acontecer.

A Fastnet Rock (em irlandês: An Charraig Aonair, significando “Rocha Solitária”) é uma pequena ilhota na costa sudoeste da Irlanda, o ponto mais meridional da ilha. É famos pelo seu icónico farol, que serve como uma ajuda náutica crucial e que historicamente era a última vista da Irlanda para os emigrantes a caminho da América, o que lhe valeu o apelido “Lágrima da Irlanda”.
O Farol de Fastnet atual é uma torre de granito com 54 metros de altura, tornando-o o farol de rocha mais alto e largo da Irlanda e da Grã-Bretanha. Concluído em 1904, hoje, a rocha é um destino turístico importante, acessível por passeios de barco que partem de Baltimore, Schull e da Ilha Cape Clear, onde os visitantes podem ver o farol e conhecer a sua história marítima. Importante notar que essa pequena pedra solitária tornou-se um ponto de passagem predileto por organizadores de regatas oceânicas na Europa – são muitas a competições que passam obrigatoriamente pelo farol, como a própria Défi Azimut.

Tudo ocorreu bem no contorno da Fastnet, apesar de eu ter removido a programação que havia preparado e navegado em tempo real, na unha. Depois de contornada a bóia, estabeleci um rumo direto sul, agora com ventos superiores a vinte nós, e no través. Com isso, a flotilha está retornando da boia com o dobro de velocidade da ida, com uma média de 24 nós. Um dos melhores desempenho dos veleiros IMOCA é justamente no ângulo e velocidade de vento em que estamos. Com isso, acredito que amanhã durante o dia já estaremos cruzando a linha de chegada. Agora à noite o Ondazul está na 45º posição geral, mantendo-se primeiro entre os brasileiros, seguido do Kinkakala BST e do Rudneijr BST. A equipe está classificada em 30ª do ranking.
Com os ventos fortes e favorávies, se foram gastos dois dias para chegar à Fastnet Rock, para retornar, apenas meio dia de navegação foi suficiente. Cruzei a boia 3 em 46° no ranking, e então rumei o Ondazul para o destino fiinal. Entretando, quando faltavam menos de três horas para a chegada (eram 14 horas), me senti mal, com dores pelo corpo e um frio beirando o insuportável. Semana que vem está marcada a visita de um médico aqui em casa, fazem meses que não estou bem;
De qualquer modo deu certo. Apenas programei o barco com horas de antecedência (o que nem sempre funciona) e fui dormir. Felizmente quando acordei, às 22 horas, o Ondazul terminara a regata. E melhor do que estava antes, terminando no 44º lugar. Foi bom demais, voltar a se classificar entre os TOP 50 depois de meses ausente
